Histórico do Mosteiro

Em 1977, quatro monges da Abadia Trapista Nossa Senhora de Genesee (Nova York) chegaram ao estado de Paraná. Pe. Francisco, Ir. Cipriano. Pe. Jerônimo e Ir. Barnabé (foto) vieram para fundar um novo mosteiro e assim implantar a vida monástica trapista no Brasil. Mais cedo, um grupo de trapistas franceses tinha estabelecido uma casa de refúgio provisoriamente em Tremembé (SP) em resposta a uma ameaça do seu governo de expulsar as ordens religiosas, mas quando a situação entre o estado e a Igreja na Franças amenizou-se, os monges voltaram para a Europa.

O novo grupo passou quatro anos perto da cidade de Lapa, vivendo numa grande simplicidade. Além de levar a sua vida monástica nas novas condições culturais e lingüísticas, os fundadores tiveram que desenvolver sua economia para tornar-se independentes financeiramente da "casa mãe", e iniciar a formação dos vocacionados brasileiros que não tardaram a aparecer. Ficou claro que a comunidade ia necessitar um lugar mais recolhido e maior para corresponder ao seu chamado, e no ano 1981, mudou para Campo do Tenente, trinta km ao oeste. Construção do mosteiro (até então, os monges tinham morado numa casa particular, fazendo as adaptações necessárias)começou quase imediatamente e a dedicação da nova igreja foi celebrada no dia 21 de fevereiro de 1984.

Em 1988, a fundação tomou o próximo passo e tornou-se um "priorado simples", elegendo pela primeira vez, seu próprio Superior. Já havia na comunidade nesta época, brasileiros com votos. Durante os anos seguintes, o mosteiro continuou na sua caminhada de oração e trabalho, tentando levar à frente a obra de "inculturação evangélica"- viver o carisma trapista autenticamente no ambiente brasileiro contemporâneo. Ao mesmo tempo, a comunidade conseguiu uma maior estabilidade econômica.

Os últimos anos têm testemunhado um novo impulso da vida: uma corrente de novos vocacionados, dentro os quais alguns já estão preparando-se para fazer os votos. A presença deles nos levou a dedicar os nossos esforços à formação intelectual e espiritual dos noviços, à renovação de nossa liturgia e à expansão dos prédios. Este ano iniciamos um programa de nova construção: o primeiro prédio, um novo dormitório monástico de trinta celas, deve ser completo até os meados do ano 2001. Nossa Ordem reconheceu oficialmente os frutos do crescimento na comunidade quando aprovou no último capítulo geral (a reunião trienal de todos os superiores da Ordem) a elevação do mosteiro ao estado de um Priorado Maior, o passo final antes de ser abadia. Neste momento somos em quinze: oito professos solenes, um professo simples, cinco noviços, e um postulante, além de vários estagiários. Sentimo-nos muito agradecidos pelos sinais da bênção divina que estamos experimentando e entramos com confiança e alegria no ano jubilar e no novo milênio que ele inicia.


Histórico da Ordem Cisterciense da Estrita Observância (OCSO)

A vida monástica é, por sua natureza, um chamado ao perfeito seguimento de Cristo. Portanto, nas comunidades monásticas que vivem segundo a Regra de São Bento, patriarca dos monges do Ocidente, sempre têm surgido iniciativas de reforma, no sentido de uma entrega mais profunda e generosa às exigências da Regra. Às vezes, esta reforma se realiza dentro de uma comunidade existente; outras vezes, um grupo de monges sai do seu mosteiro para comprometer-se num novo ambiente monástico à observância íntegra da Regra.  

O século XI, estimulado pela visão do Papa Gregório VII,  testemunhou muitas tentativas deste tipo. Uma delas foi o estabelecimento do "Novo Mosteiro" de Cister (Borgonha,França) no ano 1098 por vinte e um monges provenientes do mosteiro beneditino de Molesme. Depois de alguns anos difíceis, os Cistercienses começaram a receber numerosas vocações, e até o fim do século XII espalharam-se por toda a Europa em centenas de mosteiros masculinos e femininos. Simultaneamente, desenvolveram a própria espiritualidade mística, que se exprimia tanto nas obras dos grandes teólogos cistercienses como São Bernardo de Claraval, quanto na arquitetura de suas igrejas e até na direção da economia das comunidades. Foi o século de ouro de Cister. 

 

Nos séculos seguintes, apesar de esforços de manter a vida espiritual e ascética no mesmo nível, houve um certo afastamento dos ideais das origens cistercienses. Nos séculos XV e XVI, sobretudo na França, vários abades buscaram iniciar uma reforma nas suas comunidades, e na Ordem como tal. No século XVII, o abade francês Dom Jean Armand de Rancé, conseguiu realizar na sua comunidade de La Trappe (Normandia) um programa de reforma, enfatizando os valores de separação do mundo, silêncio, trabalho manual, renúncia e obediência. Em diversos aspectos sua reforma, inspirou-se profundamente da vida eremítica do deserto egípcio (séc. III - V) talvez mais do que na própria Regra. Outros mosteiros juntaram-se à forma da vida de La Trappe. Estas comunidades continuaram parte da Ordem Cisterciense (embora criando "congregações" distintas dentro da mesma) até o ano 1892. Naquele ano, seguindo a orientação do Papa Leão XIII, três congregações "trapistas" (Sept-Fons, Melleray e Westmalle) agregaram-se juridicamente para formar uma nova Ordem, a Ordem Cisterciense da Estrita Observância (Trapistas).  
Neste período, grandes nomes merecem destaque como o de Dom Sebastien Wyart, eleito em 1892 como 1º abade geral dos trapistas. Também devemos muito aos esforços de Dom Jean-Baptiste Chautard, abade de Chambarand e posteriormente de Sept-Fons, ambos na França. Por sua iniciativa, e fugindo das perseguições políticas na França, ele fundou o primeiro mosteiro trapista do Brasil em 1904, na cidade de Tremembé-SP. Esta fundação trouxe enorme desenvolvimento econômico e cultural, bem como auxilio religioso a toda a região do Vale do Paraíba. Este mosteiro permaneceu até 1934, quando seus monges retornaram para a Europa. Durante o século XX, os Trapistas expandiram, fazendo fundações em todos os continentes. Atualmente, há 100 comunidades de monges e 70 de monjas, sendo 13 na América Latina. Hoje em dia, tentamos viver como nossos antepassados, buscando viver em fidelidade com os  grandes impulsos da nossa história- a composição da Regra, o nascimento de Cister e a reforma de la Trappe. Acima de tudo, tentamos manter-nos atentos ao impulso do Espírito, Aquele que, através desta tradição, nos convida à sempre redescobrir e mais plenamente viver o carisma monástico no coração da Igreja.

     

 


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