Ir. Antônio e Ir. Gregório recebem o Ministério de Acólito

No dia 12 de outubro, Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, nossa comunidade teve a alegria de celebrar a instituição de Ir. Antônio e Ir. Gregório no Ministério de Acólito, mais uma etapa em seu caminho de preparação para a futura ordenação sacerdotal. A celebração contou também com a presença de Dom Júlio César Gomes Moreira, novo Bispo da Diocese de Rubiataba-Mozarlândia, que abrange parte das regiões norte e central de Goiás e se encontrava em nosso mosteiro para um retiro. Este ministério os aproxima de modo particular do serviço ao altar e à Sagrada Eucaristia, centro da vida da Igreja e da vocação monástica. Confiamos ambos à intercessão materna de Nossa Senhora, pedindo que os acompanhe e fortaleça na caminhada de entrega ao Senhor.
A seguir, apresentamos na íntegra a homilia de Dom Estêvão, proferida durante a celebração.

Esta Solenidade nos recorda a presença materna e consoladora da Virgem Maria, experimentada em 1717 por três humildes pescadores: Domingos, João e Filipe. Eles haviam sido encarregados de conseguir peixes para um banquete em homenagem ao governador, o Conde de Assumar. Após várias tentativas infrutíferas, João recolheu na rede o corpo de uma imagem de terracota, sem a cabeça. Lançando novamente a rede, encontrou a cabeça, que se encaixou perfeitamente ao corpo. Depois de guardarem a imagem de Nossa Senhora da Conceição, lançaram a rede mais uma vez e obtiveram uma quantidade tão grande de peixes que o barco quase virou. Desde então, aquela pequena imagem de terracota recorda ao povo brasileiro a presença materna, providente e atuante da Virgem Maria em nossa história.
Essa presença se manifesta nas leituras da Palavra de Deus que acabamos de ouvir.
A Virgem é prefigurada pela rainha Ester, que arriscou a vida para salvar seu povo da condenação à morte: “Se ganhei as tuas boas graças, ó rei, e se for de teu agrado, concede-me a vida — eis o meu pedido! — e a vida do meu povo — eis o meu desejo!”. Estas palavras poderiam muito bem ser colocadas nos lábios de Maria. Ela foi agraciada, experimentou a salvação de Deus e não se esquece de nós, seus filhos; intercede por nós para que tenhamos a Vida.

A Mulher do Apocalipse é imagem da Igreja e de Maria, em luta constante contra o dragão, o antigo Inimigo, que ameaça o povo de Deus, os filhos da Mulher. Ela é também a Mulher que, em Caná, intercede pelos esposos, ensina-nos a fazer o que o Filho disser e cuida para que a água de nossas pobrezas e angústias seja transformada no vinho da alegria, fruto da ação do Espírito de Cristo Ressuscitado.
Volto-me agora para os Irmãos Antônio e Gregório. Hoje, a Virgem Maria, como em Caná, participa deste momento importante de sua caminhada vocacional, no qual vocês serão instituídos acólitos. Este não é apenas um rito de passagem em direção ao Sacramento da Ordem. Trata-se de um chamado a uma nova intimidade com o Mistério Eucarístico, que é cume e fonte da vida da Igreja, e a uma configuração mais profunda a Cristo, Pão Vivo descido do Céu.
A partir de agora, a vida espiritual de vocês ganha um centro de gravidade ainda mais definido: o Altar. Para viverem bem essa intimidade e essa configuração com Cristo Eucarístico, quero oferecer-lhes algumas indicações.

Primeiro, tenham profunda reverência e maravilhamento no serviço do Altar. Que cada Missa seja vivida com a mesma devoção e reverência desta primeira vez em que preparam o Altar. Sirvam o Corpo e o Sangue do Senhor com zelo e santo temor de Deus. Cuidem para que esse serviço seja uma expressão do amor de vocês a Jesus e preservem seus corações da rotina.
Segundo, sejam um “Altar vivo” para nossa comunidade. O serviço como acólitos começa no Altar, mas se estende para além dele. Vocês serão encarregados de distribuir o Pão da Vida e o Cálice da Salvação aos seus irmãos. Ao fazerem isso, lembrem-se: vocês ministram não apenas a Comunhão, mas também a compaixão de Cristo, isto é, a entrega de si mesmo para nossa salvação. E o fazem entregando-se por Ele e com Ele. Que o cuidado e a dignidade com que servem na liturgia se reflitam na caridade, na paciência e no serviço aos irmãos.
Por último, cultivem o espírito de serviço, escondido e humilde. O monge é chamado a resplandecer pela eficiência discreta. A função de vocês é fazer com que a liturgia aconteça de forma harmoniosa, para que a comunidade e os fiéis possam saborear o mistério de Cristo. É Ele o centro da celebração.
Este ministério é uma escola de despojamento. Aprendam a servir discretamente, a antecipar as necessidades do celebrante e a estar atentos ao desenrolar de toda a celebração, e não apenas às funções próprias que lhes caberá exercer. Cultivem a humildade litúrgica, que se inicia com este ministério, mas deverá crescer ao longo de suas vidas como diáconos e sacerdotes.

Irmãos, ao receberem, durante o rito de instituição, a patena com o pão que será consagrado, assumam também o compromisso de conformar suas vidas ao sacrifício de Cristo. Servindo ao Mysterium Fidei, que é Sacramentum Caritatis, cresçam na fé e na caridade, sendo acólitos segundo o Coração de Jesus.
Voltemos ao contexto desta celebração, na qual recordamos a presença constante de Nossa Senhora na vida da Igreja, na vida de nosso povo e em nossa própria vida. Foi o próprio Cristo quem lhe confiou essa missão materna em relação a nós, seus discípulos amados.
Recordemo-nos da Hora de Jesus, para a qual apontam as Bodas de Caná. Jesus diz à sua Mãe: “Mulher, eis o teu filho!”, como se lhe dissesse: “Não fostes vós que escolhestes ser Mãe dos meus discípulos; fui Eu que vos escolhi e vos designei para ser a Mãe do meu Corpo, para cuidar da minha Igreja, adquirida pelo meu Sacrifício na Cruz”.
Temos uma Mãe, Mãe de Deus e nossa, que cuida de nós e nos acompanha. Ela diz a cada um de nós, como disse aos serventes nas Bodas de Caná: “Fazei o que Ele vos disser”. Estas palavras são dirigidas especialmente a vocês, Irmãos Antônio e Gregório.
Obedientes à Virgem, aqueles serventes encheram as seis talhas com água, que serviu de matéria para que Jesus a transformasse no melhor dos vinhos. Agora, vocês, obedientes à Mãe Igreja, preparam o pão e o vinho, que serão transubstanciados, pelo ministério sacerdotal, no Corpo e no Sangue do Senhor, para que todos possamos participar das Bodas Nupciais do Cordeiro.
Que a Virgem Maria, invocada na Ladainha como Vaso Espiritual e a primeira a carregar o Corpo de Cristo em seu seio, ensine a vocês e a cada um de nós o silêncio adorador e a prontidão no serviço ao Corpo de Cristo, vivo e presente no Sacramento do Altar e na comunidade monástica.



