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Homilia na renovação dos votos do Ir. Pacômio

  • há 3 dias
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Homilia proferida por nosso Abade, Dom Estêvão, no dia 13 de maio de 2026.

Caro Irmão Pacômio, no ano passado, a sua renovação aconteceu no dia 13 de maio, memória de Nossa Senhora de Fátima. Lembro-me de ter iniciado a homilia daquela renovação dizendo que o Espírito Santo e a Virgem Maria queriam lhe indicar um tempo de passagem, um novo momento que se iniciava em sua caminhada vocacional. De fato, foi um ano em que muita coisa aconteceu.


Foi um ano de maior liberdade interior. Um ano de encontrar um espaço interior onde você pudesse permanecer, encontrar-se consigo mesmo, ser mais você mesmo e, ao mesmo tempo, encontrar um lugar de oração, um lugar para permanecer com o Senhor. A Virgem Maria nos auxilia a adquirir um olhar novo.


Vejamos Nossa Senhora de Fátima. Ela incitava os pastorinhos a saírem do seu mundo tão restrito, da sua pequena aldeia, para intercederem pela conversão dos pecadores. Convidava-os também a oferecerem sacrifícios por essa intenção e a rezarem o Rosário pela paz, para que a Primeira Guerra Mundial terminasse e a Rússia não espalhasse os seus erros pelo mundo. Assim, conduziu-os à oração, uma oração que ajuda a ver muito além dos próprios contornos, muito além do pequeno contexto em que viviam.


A Virgem Maria nos ajuda a trilhar um caminho contemplativo, caminho que ela mesma percorreu no seguimento de seu Filho, guardando todos os fatos e acontecimentos e meditando-os em seu coração. A contemplação é uma forma de ver, uma forma particular de conhecer. Pelo dom da fé, recebemos novos olhos; começamos, de fato, a ver. Unido à fé está o amor. Com a dádiva do amor, recebemos um coração novo, o coração de Cristo. Se acolhermos esses dons — um olhar novo e um coração novo — e soubermos corresponder a eles, poderemos ver com os olhos de Cristo e sentir com o coração de Cristo.


A fé sem o amor está morta, como nos diz São Tiago. O amor vivifica a fé. De modo semelhante, os nossos olhos podem estar mortos sem o coração: não conseguem verdadeiramente ver. É o nosso coração — capaz de sentir, amar e pulsar — que nos permite enxergar.


Então, qual é essa dimensão contemplativa na qual somos chamados a crescer em nossa vocação? É ver com os olhos do coração, mas com os olhos do coração de Deus. A contemplação é um dom para o qual podemos e devemos nos abrir, mas também é um caminho a ser percorrido. Se a fé e o amor crescerem em nós, converter-se-ão em uma fé arrebatada, ardente, inflamada, capaz de nos fazer descobrir Deus em toda parte e nos unir a Ele. A contemplação, portanto, é a fé iluminada pelo fogo do amor.


A Virgem Maria, Mãe e modelo da Igreja, é uma contemplativa. Como uma mãe que ama, ela percebe o que os filhos estão vivendo e, quando algo lhes pesa, sofre juntamente com eles. Pressente aquilo que iremos passar, acompanha-nos, importa-se conosco e se antecipa. Assim aconteceu quando, com o seu olhar fixo em Deus, antecipou tudo aquilo que a humanidade viveria ao longo do século XX.


Ela antecipou as mazelas de um regime totalitário que retiraria Deus do horizonte da vida social. De certo modo, alertava para a revolução de outubro de 1917 e suas consequências. Também antecipou, em sua visão, uma guerra ainda pior do que a Primeira Guerra Mundial. É um olhar inflamado pelo amor, que se importa com os seus filhos. Ela queria preservar-nos de tanto mal, assim como Deus deseja nos preservar do mal. A Virgem vê com o olhar de Cristo e ama com o coração de seu Filho.


Que a Virgem Maria, esta contemplativa, o ajude, a partir desta renovação dos votos, a crescer cada vez mais nesse olhar de fé, que não diminui o nosso olhar realista, mas amplia o alcance da nossa visão sobre nós mesmos, sobre a comunidade, sobre a Igreja e sobre o mundo.


Que Deus o abençoe neste novo período de profissão. Que a Virgem Maria, assim como o acompanhou ao longo deste último ano, continue a acompanhá-lo nestes meses que o conduzem à profissão solene e o ajude a permanecer profundamente unido a Cristo, com uma fé viva, um amor ardente e um coração contemplativo. Amém.

 
 

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